domingo, 6 de julho de 2014

A minha primeira vez.... com um britânico


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   Oi, gente bonita.
   Estou de volta ao blogue, finalmente chegou o Verão (Yeey *.*), e vou voltar a postar com frequência.
   Para começar bem a celebrar o Verão, venho aqui com um pequeno texto em que vos conto a minha primeira experiência com um britânico. Ah, não acreditam em mim? Continuem a ler e verifiquem se é verdade ou não. Só vos digo: foi um pesadelo.


   Mas é que foi mesmo.
A nossa sociedade é muito influenciada pelos UEA e Inglaterra. A maioria das séries, filmes, livros, produtos e cenas vêm daí. Bem, talvez não a maioria dos produtos, mas muitas marcas sim.
E todos nós, especialmente os adolescentes, sempre sonharam em conhecer um britânico ou um americano.

Eu sei que tenho o sonho de ir à América e Inglaterra (já lá fui, mas era bebé), e que adoro o sotaque britânico.
De facto, muitos amigos meus têm os mesmos sonhos e gosto.

Bem, nem sabem a minha felicidade - e nervosismo - antes de ontem, quando o meu pai me pediu para falar ao telemóvel com um Inglês - e um daqueles de verdade, um real britânico.
É que o meu paizinho começou a trabalhar recentemente num Ponto Socorro - se o carro de alguém se avariar, ele vai lá buscar o dito automóvel -, e à dois dias recebeu o telefonema dum carro avariado a alguns quilómetros da vila onde moramos.
O carro de um senhor tinha-se avariado e necessitava-se dum Ponto Socorro. Só havia um problema: o tipo era inglês.

Ninguém quer ir buscar o carro dum inglês, muito menos às dez da noite.
Muita gente não sabe falar inglês, especialmente os mais velhos, por isso toda a gente se negou a fazer esse serviço. Menos o meu pai.
Somos três filhos, dois cães, uma gata, uns sete pássaros e uma data de galinhas e patos. Muita gente para governar. Para além disso, a minha mãe trabalha por conta própria e tem dificuldades em pagar as contas. Todo o dinheiro extra é preciso e agradecemos por ele.
Além disso, esqueçam o problema do gajo falar inglês e não falar peva de português. O meu pai tinha-me a mim! Podia levar-me e usar-me como tradutora! 
E foi isso mesmo que fez.

Lá saímos nós, às dez da noite, comigo ao telemóvel com o homem.
Ele tinha uma voz linda. Parecia um locutor de rádio. Falei com ele - eu toda nervosa, porque apesar de ter 18 em inglês (dezoito em vinte), é totalmente diferente estar a falar inglês em situação de sala de aula e falar com um verdadeiro falante de inglês.

Era uma situação real.

Eu não só tinha de falar em inglês, traduzir as instruções que o meu pai me dizia em português para inglês - ainda continuo sem saber como se diz semáforos em inglês? -, tinha de traduzir o que o senhor me dizia para português, e tinha de fazer um esforço enorme para o entender.

Já viram alguma série britânica? Pois, o sotaque deles é lindo e totalmente adorável. Se tiverem as legendas por baixo, bom ouvido, e estejam mesmo em silêncio e com atenção. Também é importante que eles estejam a falar decentemente e de forma que se entenda.
É que o carro do dito britânico se tinha avariado num vale, onde não havia rede quase nenhuma. Ou seja, ao telefone, a única coisa que eu conseguia ouvir eram chuviscos.

Vocês sabem, aquele som irritante de chuva a cair, ou de um pacote de batatas fritas (salgadinhos) a ser esmagado nas vossas mãos. - Hão-de experimentar amachucar um pacote desses quando estão ao telefone com alguém muito chato. É só fingir que não ouvem nada e desligar.

- Eu só... *som do pacote* ..... amarelo .... *som do pacote* ... e então.... *desligar*

Além desse som irritante, o homezinho falava imensamente depressa e estava sempre a repetir a mesma coisa, pelo que era difícil não só entender o que ele estava a dizer, como o sítio onde ele estava.
E depois havia outra coisa.
Ele estava com uma moca enorme.

E eu, ao telefone com um britânico que falava à velocidade da luz, que engolia metade das palavras, que não sabia onde estava e não dizia nada de jeito, e que tinha andado a fumar substâncias questionáveis.

Acabámos por ir parar a uma vila, tudo porque ele tinha dito que estava ao pé da linho do comboio. Sabem que mais? Não estava. Andámos cerca de duas horas na carrinha do Ponto Socorro à procura do homem, e eu sempre a pedir ao homem para andar até uma placa e nos dizer o nome que lá estava, para nos descrever o que estava a ver, para ir até aos blocos ao lado da estrada e nos dizer o nome da estrada em que estava e o quilómetro.
E ele só me respondia:

- I can´t see anything... is too dark... i can´t understand you...

Tipo: WTF?
Eu estava a falar inglês correto! Mesmo sob pressão eu estava a dizer frases coesas e com sentido!
Porque é que ele não me entendia e não fazia nada para nos ajudar a ajudá-lo?!
Oh, pois, estava mocado.

A única coisa que o meu pai fazia era berrar comigo e mandar-me telefonar de novo ao homem e pedir-lhe mais informações. Acho que liguei umas nove vezes ao homem e ele repetia sempre a mesma coisa. Até que acabou por nos dizer a estrada em que estava: a 241.
Mas como não sabia o quilómetro, também não era grande ajuda, porque a 241 tem uma carrada de quilómetros.

E depois ele disse-nos o nome da terra para onde ele estava a tentar dirigir quando o carro foi abaixo: Pedras do Altar. E mais: como a gente andou para a frente e para trás na vila e não o achávamos, ele até se comprometeu a vir ter com a gente.

Agora a parte cómica.

Passaram-se dez minutos e o homem ainda não tinha aparecido. O meu pai resolveu dar mais uma volta pela vila e até mesmo seguir um pouco mais da estrada. Estávamos a ficar desesperados e em modo stressado. Nós já só queríamos ir para a casa. E então, de repente, está um homem a andar na estrada a uns metros de nós. Ele vira-se para trás e corre para o meio da estrada, fazendo sinais com os braços.
Apesar de ter dito que vinha ter com a gente à vila, o homezinho tinha-se posto a andar na direção contrária.
A sério, só a mim.

Lá fomos nós, tratar do carro. O meu pai pensou que podia ter sido a bateria e estava todo contente, porque podíamos carregar a bateria do carro dele com a bateria do nosso carro e depois íamos-nos embora. Afinal não era a bateria.

O carro só cheirava a fumo e o senhor também.
Lembram-se de eu ter dito que ele tinha uma voz maravilhosa? Pois bem, o senhor era careca, faltavam-lhe uma carrada de dentes, e tinha roupas muito largas. O senhor, e disto tenho pena, devia de ser pobre, até porque o carro era super velho e merecia mais do que uma reforma.
Mas escutem o mais interessante: de cada vez que o meu pai entrava no carro para ver alguma coisa no painel, o senhor entrava também. E olhava sempre para uma mochila que tinha no chão.

É óbvio que devia de ter lá droga ou outra coisa assim do género.

Eu só não entendo, e isto é comum em todos os que passam por dificuldades, é porque é que pessoas pobres gastam o pouco dinheiro que ganham em droga, cigarros e porcarias que lhes estragam a vida em vez de comida. Eu nem compro gomas e rebuçados sem me sentir culpada por estar a gastar dinheiro em coisas desnecessárias!

Mas bem, tirando isso, o senhor até era simpático. Tentou ajudar o meu pai a levar o carro para cima do Ponto Socorro, apesar de eu lhe dizer que não era preciso, de eu mesma estar a ajudar o meu pai e de estarmos os dois a falar português constantemente.
E então chegou a parte de o levar para casa.

Mas antes de contar como foi a nossa excitante e curiosa viagem de setenta e um quilómetros e muitos minutos de silêncio, vou-vos contar outra parte interessante da equação:
o senhor tinha dito mais do que uma vez que estava escuro e que não conseguia ver nada.
Haviam candeeiros com luz a dez metros do sítio onde ele estava.
Ele também tinha dito que não haviam marcos nenhuns ao redor da estrada a marcar o quilómetro ou tabuletas/tábuas com nomes de terras.
Pois bem.
O carro dele tinha avariado ao lado uma rotunda que, como todos sabemos, é o cruzamento de muitas estradas. Estavam pelo menos umas cinco tábuas com nomes de terras ali. E mais: havia um marco de quilómetro com o nome da estrada mesmo ali ao lado.

Cómico, não é?

E agora a viagem para casa.

Supostamente o senhor morava numa terra com um nome muito estranho. Até ligámos ao Seguro a confirmar. Eles disseram que sim, que era aí que o senhor tinha a residência.
Ora, o meu pai ficou mais ou menos contente: a dita vila ficava a trinta quilómetros do sítio onde estávamos. Nem era assim tanto.

Ele estava todo preocupado que o homem se tornasse violento ou alguma coisa, já que estava mais do que pedrado. Além disso, tinha-se esquecido dos documentos - boa pai, vais conduzir sem carta. E depois eu é que sou irresponsável - e queria ir para casa o mais depressa possível.

Lá chegámos então à bifurcação na estrada que levaria à terra que o senhor nos tinha indicado. E então aconteceu o imprevisto: o senhor deu indicações para seguirmos na direção contrária à da terra. Novamente: WTF?
Mas pronto, nós fizemos o que ele nos mandou.
E continuámos por mais vinte quilómetros.
E novamente, ao chegarmos à terra que o senhor nos tinha indicado, foi-nos dito para seguir noutra direção (pequeno detalhe aqui: o senhor disse para irmos para a esquerda, para Troviscos, quando na verdade Troviscos ficava em frente. É preciso dizer WTF ou vcs entenderam?)

No fim da noite, mais ou menos às três e meia da noite, estávamos quase no cimo duma montanha. O britânico dum raio mandou-nos parar e disse para deixar-mos o carro à beira da estrada. Largámos o carro, eu sempre a falar inglês com ele, como o meu pai me obrigou a fazer, e ele agradeceu.

Pontos para o senhor, tentou dar-nos dez euros pelo trabalhos.
Claro que nenhum de nós, eu o meu pai, aceitámos, até porque ele tinha ar de quem precisava.

Ora, foi uma aventura e tanto, não foi?
Pois, é que ainda não acabou.

Como não tínhamos ideia de que íamos para tão longe, não atestámos o depósito e a gasolina estava a acabar. Estávamos mesmo a ver que tínhamos de acampar à beira da estrada.
O meu pai acabou por arriscar e, em vez de estacionar num parque de campismo para camionista, foi a conduzir até à bomba de gasolina mais próxima da auto estrada para atestar.
Conseguimos lá chegar.

Mas nunca mais me vou me meter naquele carro com ele porque:
Primeiro: quase que nos atirava da estrada abaixo para o rio - estava escuro, o carro é instável e a estrada estava escorregadia. Quase que fomos nadar com os peixinhos.
Segundo: chegámos a casa às cinco da manhã.
Terceiro: cruzámos-nos com ciganos no caminho (com esses nunca se brinca, especialmente estes, que tinham acabado de vir duma festa - é verão, por isso à sempre festas nas terrinhas aqui da zona - e deviam de estar mais que bêbados)
Quarto: fiquei com dor de garganta por vir a cantar durante meia hora aos altos berros. O meu pai estava cheio de sono e pediu-me para o entreter, que é que se havia de fazer.

Agora, estão a ver o tempo de qualidade que eu e o meu pai passamos juntos?

Só vou terminar por dizer que estou com raiva dos britânicos e que estou em greve de ingleses durante uma semana, se não mais, e que espero verdadeiramente que a minha próxima interação com um britânico seja melhor.

E vcs, o que acharam da minha aventura?
Já conheceram algum inglês?


XOXO, Rae

5 comentários:

  1. Uma palavra, cinco letras: K-A-R-M-A!!


    P.S. Vou pensar se fico ou não com pena de ti :P

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    1. Ahahahaha, mas porquê Karma? Que mal fiz eu?! *sou uma santa, perdoem-me*

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    2. Isso eu já não sei hahahaha!
      Credo, sempre que passo por este post, não posso ler o título... a minha mente troca os significados de forma automática quando o leio xD
      GOD...

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