segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Queridos adultos


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   Oi pessoal ^^ Estou de volta ao fim dum loooooongo tempo.
   Desta vez é algo diferente... a minha opinião sobre a adolescência, uma espécie de pedido, um grito de ajuda aos adultos. Espero ter dito alguma coisa de jeito XD




   Ser um adolescente pode ser... avassalador.

   Uma data de sentimentos em conflito, muitas emoções e hormonas, um grande sentimento de insegurança quanto ao futuro. Medo, raiva, paixão, curiosidade. Vontade de viver.

  Não somos crianças, mas também não somos adultos. É por isso que somos muitas vezes mal compreendidos. Os "crescidos" tratam-nos como se fôssemos projectos em miniatura do que em dia virá a ser um adulto, o que não deixa de ser verdade, mas reprimem-nos com as suas atitudes super protetoras.

   Quer dizer, quantas vezes não vos aconteceu já "comporta-te como um adulto" ou "age conforme a tua idade" e depois, quando tentam fazer exatamente isso mesmo e dar a vossa opinião sobre alguma coisa, abanarem a cabeça e mandarem-vos calar porque são muito novos, porque ainda não viveram e não sabem nada? A vida ainda é uma incógnita para vocês, para nós, porque ainda estamos debaixo das asas dos pais e não sabemos como é o mundo real.

   Dizem que vivemos no nosso próprio mundo, que para nós as regras não se parecem aplicar. Dizem que vivemos pensando que governamos o planeta e que nada nos irá parar. Dizem que pensamos ser imortais.

   Pois bem, tenho uma novidade para vocês.

   Eu não sou imortal. Eu não acho que mando no mundo ou que posso fazer o que bem quiser sem arcar com as consequências. Pelo amor de Deus, eu nem consigo controlar a minha bexiga, quanto mais o mundo!

   Queridos adultos, isto é para vocês. 

   Nós adolescentes somos mais que projectos. Podemos ser novos, podemos não ter ainda visto o mundo pelos nossos próprios pés e conta, mas isso não quer dizer que a vida seja simpática com todos nós. Não é só porque somos jovens que não temos problemas. Acreditem, não é bem assim.

   Não estou a falar com os recentes adultos, aqueles que já nasceram para ver as novas tecnologias e o Novo Mundo erguer-se. Porque o Novo Mundo existe, pessoal, e nós vivemos nele. Mas alguns dos mais velhos não. Alguns dos mais velhos continuam presos no passado e acreditam que é tudo como era antigamente.

   Estou a falar com esses adultos, com essas pessoas que não acreditam na mudança, que pensam que conhecem o mundo mas que, na verdade, não conhecem. Por mais que tentem, não conhecem. Ninguém conhece na sua totalidade. Não é por isso que estudamos História na escola? Para aprender mais sobre o passado e, talvez, descobrir mais sobre o futuro?

   Para vocês é que o mundo é uma incógnita.

   Enquanto adolescente, podemos ter a visão duma criança, sim. Mas será isso tão errado quanto isso? As crianças têm a capacidade de ver tudo com mais clareza. Elas não julgam, não criticam, não guardam rancor.

   Estava a ver um filme e a minha prima de seis anos viu aparecer um casal lésbico no ecrã. Sabem o que me perguntou? Porque se estavam a beijar. E eu respondi que era porque estavam a apaixonadas? Acham que ela se importou? Acham que fez um grande drama sobre isso? Não. Riu e continuou a assistir o filme.

  Quando os pais não podem brincar com os filhos porque têm muito trabalho acham que as crianças se zangam? Não. Ficam simplesmente tristes, desapontadas. Mas no dia a seguir já lá estão outra vez, sorridentes, a pedir para brincarem com elas de novo.

   Vêem? É isto que eu quero dizer. As crianças são uma espécie à parte, mais carinhosa, cuidadosa, amorosa e livre de críticas.

   Isto, se as mantermos assim, se lhes permitirmos esta liberdade.

   Porque as crianças crescem. Crescem e tornam-se como nós, adolescentes. Motivados pelo que vêem na TV, pelo que lêem no jornal, pelo que ouvem nas ruas. Adolescentes é o que chamamos a alguém quando atinge uma certa idade. O quê, catorze, treze anos? Mas muda realmente alguma coisa quando atingimos essa idade? Cai algum raio mágico do céu que nos altera o pensamento?

   Não.

   Eu sei que já lá vão alguns anos, talvez me tenha esquecido de como foi fazer treze anos, mas pelo que me lembro, não me senti muito diferente.

   Na minha opinião, a "adolescência" é um estado de espírito.

   O mundo começa a deixar de ser tão doce como era dantes. Deixamos de acreditar em todos e de ser tão ingénuos - esta é a palavra que a minha mãe lhe dá. Ingenuidade. Segundo ela, eu ainda sou uma criança, porque sou demasiado ingénua, acredito que em todos habita o Bem, que todos são bons, que todos têm as mesmas boas intenções que eu.

  Podem julgar-me por isso? Podem julgar-me por dar uma oportunidade a todos, independentemente do que me fizeram ou do quanto me magoaram?

   Não consigo odiar ninguém. Desculpem, mas não consigo. Para mim, ninguém é mau. Eles simplesmente tomaram más decisões e agiram de maneira errada.

   Lá porque o teu namorado foi um otário para ti isso não quer dizer que ele seja um otário. Ele só agiu como um.

   Podemos definir e rotular as pessoas baseando-nos nos seus atos? Não sei. Um ato isolado não deve ter o poder de discriminar toda a minha vida. Parece... injusto.

   Porque o mundo manipula-nos. A vida obriga-nos a seguir caminhos que não queremos seguir. É nossa culpa? Talvez. Talvez devêssemos ter lutado com mais vigor, tentado seguir um outro caminho. Talvez não tivéssemos outra alternativa, independentemente de tentarmos ou não.

   E é por isso que somos adolescentes no corpo e no espírito.

   Estamos em fase de transição. 

   Alguns dos nosso valores enquanto crianças ainda se mantém. Uma criança não vê qualquer distinção entre uma pessoa branca duma negra. O que há de diferente, tirando uma cor de pele engraçada? Mas vamos aprendendo. Vamos ouvindo, vendo e lendo coisas. Aqui, ali. Na escola, na paragem de autocarro. Em casa. O mundo como o conhecíamos começa a metamorfosear-se perante os nossos olhos, e os adultos não entendem que possamos ter uma opinião tão válida quanto a deles.

   Novamente, o mundo mudou, um Novo Mundo vigora agora. A vida não é a mesma que era à cinquenta anos. Não podemos deixar a porta de casa aberta e ir ali à esquina buscar água à fonte, porque o mais certo é sermos assaltados. Não podemos deixar os nossos irmãos mais novos irem à povoação vizinha dar as condolências a um primo porque ainda os podem raptar. 

   As coisas mudaram, para quê tentar fingir que não?

   Os adultos ainda olham para nós e pensam que somos iguais a eles. Recusam-se a acreditar que já possamos ter perdido a nossa inocência. Eles sabem, eles sentem, que algo está diferente, mas não parecem querer acreditar realmente nisso.

   Para onde quer que nos viremos há drogas, há tabaco, há álcool. O perigo espreita em cada canto e não podemos verdadeiramente confiar em ninguém. Através dum simples clique dum computador podemos arruinar a vida de alguém ou mandar pelos ares uma cidade inteira.

   Lamento, queridos adultos, mas o mundo mudou, e quer queiram quer não, nós, adolescentes, somos diferente do que vocês eram. Já não somos assim tão inocentes. Crescemos. Sabemos de coisas que vocês nem imaginavam serem possíveis quando tinham a nossa idade. Então qual o problema de nos ouvirem, de nos levarem a sério?

   Quanto tento conversar com a minha mãe, ela não ouve. Para ela, não há razão nenhuma para eu me sentir triste, em baixo, deprimida ou simplesmente menos alegre do que ela gostaria. Os meus maiores problemas na cabeça dela são os rapazes.

   Os rapazes que - perdoem a linguagem - se fodam.

   Não posso estar preocupada com outras coisas? Como política? Como o facto de o país estar a decair, de a civilização inteira estar a decair, de o meu futuro não estar assegurado como estava o teu, mãe? Porque tu tinhas o futuro assegurado. A maioria dos adultos tinham.

   Os homens iriam estudar, entrar na universidade e tornarem-se doutores. Se não houvesse dinheiro para tal iriam trabalhar com os pais nas obras, na construção civil, nos camiões, onde quer que fosse. 

   As raparigas iriam tirar o grau mínimo de escolaridade, isto se chegassem a ir à escola, iriam arranjar um "trabalhito" num café e depois casarem-se, tornarem-se donas de casa. Terem filhos. Tratar dum marido. Envelhecer.

   Haviam exceções, pessoas mais abastadas e com mentes talvez um pouco mais abertas que planearam outras coisas para os seus filhos, mas a maioria da população pensava assim. E ainda pensa.

   A diferença de hoje para ontem é que nós não sabemos qual o nosso lugar no mundo. Não sabemos o que o futuro nos aguarda. O planeta é um planeta de oportunidades. Perigos, sim, mas o facto de ser perigoso viver só torna mais apetitosa a oferta de liberdade que cada manhã nos oferece.

   A liberdade, porém, pode ser opressiva muitas vezes.

   Estamos conectados a todos os continentes, a todos os países. Sabemos muito. Sabemos demais. Pode ser um exagero, mas a ignorância era uma bênção.

   Hoje em dia temos o hábito de nos preocupar-mo-nos com coisas demasiado grandes para nós. A fome, a guerra, as mentalidades retrógradas. Talvez os adultos tenham razão quando digam que temos sonhos demasiado altos, mas também é verdade que pequenos passos levam a grandes mudanças.

   E nós queremos mudar.

   Nós, os adolescentes, aqueles que muitos criticam por passamos o dia todo agarrados ao telemóvel ou a ver pornografia, queremos mudar o mundo. Só que chegamos a um ponto em que estamos fartos de não nos ouvirem, de não sermos compreendidos.

   Por favor, oiçam-nos.

   Talvez eu esteja a generalizar demasiado. Claro, há adultos que compreendem que esta fase da vida é complicada. Há adolescentes que não se podiam cagar menos para a pobreza mundial ou outras coisas. Mas nisto tudo, todos temos uma coisa em comum: estamos assustados.

   O que eu estou a tentar dizer - finalmente vamos chegar a algum lado, ao fim dum desabafo de todo o tamanho - é que os adultos não deviam olhar para nós como se fôssemos totalmente ignorantes. Nós sabemos das coisas. Podemos não ter a prática mas temos a teórica. Eu sei que só nos estão a tentar proteger com as coisas que dizem, porque não querem que nos magoemos, visto que a dor que a vida nos provoca arranca de nós a esperança dum dia melhor e tudo o que os nossos pais querem é manter-nos crianças por um pouco mais de tempo.

   Não podem. Não nos podem impedir de crescer. Isso só nos vai dar vontade de o fazer mais depressa.

   E só porque tentam guardar-nos do mundo real isso não quer dizer que não tenhamos opiniões próprias que não mereçam ser ouvidas.

   Ofereçam-nos uma oportunidade de sermos ouvidos e de dar a nossa opinião, permitam-nos criticar e dar a conhecer a nossa visão do mundo, que somos aqueles que mais sofrem com ele e que mais estão habituados a ele. Aqueles que são magoados são os que mais têm a dizer, a oferecer e a ensinar.

   Não se fiquem por pensamentos do passado, pensamentos racistas ou homofóbicos, ou até mesmo pensamentos atrasados como "raparigas não podem ter o cabelo curto porque isso faz delas lésbicas". Abram os vossos corações e horizontes e aprendam que as coisas mudaram.

   Vocês não estão sempre certos, tal como nós não estamos sempre errados.

   Espero ter dito alguma coisa de jeito no meio disto tudo... espero que tenham, ao menos, compreendido algo do que disse e se tenham identificado com alguma destas situações. Novamente, tudo o que peço é uma oportunidade de ser ouvida e compreendida, tal como qualquer um de vocês.

   Xoxo Rae

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